Se eu pudesse ver a bondade em tudo que o dia se faz, eu veria.
Se pudesse acreditar na loucura do homem como fonte de sabedoria,
se as dores não gritassem na rotina, na monotonia,
talvez não precisasse de tanta filosofia.
Se busco nas origens, explicação;
se questiono, interrogo e me banho em meu próprio mar de insatisfação,
pelo gosto ideal, jamais provado, do justo e do bem,
é que sonho com dias melhores
e esse sonho me mantém.
Porque é fácil dizer que não gosto simplesmente
de qualquer lugar, qualquer programa,
qualquer tipo de gente,
sem pensar no porquê e nos motivos
que me fazem tão diferente.
Não é por escolha ou opção
que prefiro o silêncio à canção,
que não gosto de rádio ou televisão,
que me irrito e vou de 8 a 80 sem aviso algum.
É que o tumulto já é demais por dentro
onde questões me desorientam
onde nem chão, nem céu, nem terra, nem ar
são certezas onde me creio habitar.
E por isso busco, devorando o tempo de minha eternidade,
uma réstia de luz,
um breve sorriso da verdade
que me traga, no fim, o acalanto seguro
para dormir um sono profundo
em paz.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
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